Orientação na Beira Alta com 8 graus negativos

28-01-2022

Quando a organização chegou a Vila da Ponte, às 6h30 de domingo, para montar a arena da terceira etapa do BAOM, a temperatura era de 8 graus negativos. A passadeira da meta, que ficara estendida no terreno durante a noite, estava congelada, rija como pedra, boa para esquiar ou para uma aterragem forçada; foi preciso amaciá-la com sucessivas chaleiras de água a ferver.

Hora e meia depois, os termómetros teimavam nos mesmos 8 negativos. Mas ao meio-dia, com sol aberto e os atletas de elite a passarem no ponto de espectadores, já toda a gente se tinha esquecido do frio e os ânimos iam ao rubro no apoio aos concorrentes da sua preferência. Tudo isto, evidentemente, sem quebra das regras sanitárias. Espaço era coisa que não faltava e toda a gente exibia a pulseira comprovativa de vacinação ou teste Covid.

Após o sprint, na véspera em Penela da Beira, esta era a segunda etapa a contar para o World Ranking Event. A equipa de som, liderada por Bruno Nazário, fez aqui, com grande profissionalismo, o ensaio geral para o Campeonato do Mundo Júnior, que há de decorrer em julho no vizinho concelho de Aguiar da Beira. O envolvimento de Rafael Miguel, que será o diretor do JWOC, foi outra mais-valia, acrescentando brilho ao competente trabalho do Clube de Orientação de Viseu, responsável por esta primeira prova da Taça da Portugal.

Sem me alongar na apreciação geral do evento e na prestação dos atletas do nosso clube, que outros companheiros farão neste mesmo espaço, destaco a qualidade técnica dos três terrenos e a excelência da cartografia de Tiago Aires e Rafael Miguel, uma dupla que, ainda há poucos meses, desempenhou também com grande sucesso o mapeamento de uma difícil floresta francesa.

E passo, desde já, a palavra a Luísa Gaboleiro, que, não se limitando a comentar um aspeto determinado da competição, acabou por fazer uma bela resenha do fim de semana - e foi mesmo além disso.

Manuel Dias

Luísa Gaboleiro faz o elogio da sombra

Não vos vou aqui falar da excelente organização do Beira Alta 'O' Meeting levada a cabo pelo Clube de Orientação de Viseu - Natura, nos dias 22 e 23 de janeiro, a qual contou com a participação de 20 países e 87 clubes, num total de 580 atletas.

Nem tão-pouco vou falar da qualidade dos mapas e do traçado dos percursos das três etapas, realizadas nas localidades de Penela da Beira e de Vila da Ponte.

Também não vou falar dos excelentes resultados alcançados pelos atletas do Grupo Desportivo União da Azoia (GDUA) nesse evento desportivo: Joana Canana em D16, Miguel Canana em H14, Manuel Dias em H70, primeiros classificados; Sofia Pulquério em D16 e Nuno Ferreira em H45, segundos classificados; Salvador Mendes em Fácil Curto, 3.º classificado.

Não quero falar da excelente progressão técnica e física revelada por alguns dos nossos atletas, designadamente, Vasco Mendes, Miguel Manso, Catarina Félix, Jesus Leão, André Pereira, Luís Boal e Rui Pereira, que muito contribuíram para que o GDUA, única equipa portuguesa no pódio, obtivesse 4044 pontos naquele evento e alcançasse um memorável 2.º lugar coletivo, a seguir à seleção Húngara e à frente das seleções da Lituânia e Rússia.

E também não vou falar da alegria que tive em cada uma das três etapas do Beira Alta 'O' Meeting por poder fazer orientação pedestre e conviver com a minha família, os meus jovens e velhos amigos e por, entre eles, se encontrarem os três melhores reforços da época 2022: Nuno Ferreira, Leonor Ferreira e Afonso Ferreira.

Também não quero falar da qualidade do trabalho de preparação técnica do Jorge Baltazar e de como isso tem influenciado os resultados da equipa.

Hoje quero sobretudo valorizar e enaltecer o trabalho de bastidores constante e abnegado do Pedro Laia e do Noel Cabeça, nem sempre reconhecido e valorizado por todos, que, há largos anos, nas suas casas, na sede do Clube, nos treinos, nas provas e no âmbito das suas relações interpessoais ajudam a reforçar a equipa, a promover a modalidade e a tornar o GDUA numa potência da orientação portuguesa.

Quero agradecer aqui e agora ao Pedro Laia e ao Noel Cabeça a entrega, a dedicação e a forma altruísta como se têm dedicado à secção de orientação do GDUA, a torná-la cada dia melhor, a ponto de, para grande comoção de todos, termos chegado a segundo classificado num dos pódios mais competitivos da época 2022. Fantástico início de época!!!

Luísa Gaboleiro

Pedro Laia recebe "dose de reforço de Ori-motivação"

Desde março de 2020 que o meu estado de motivação em andar Orientado ia sofrendo ataques, reveses e dissabores. A cada prova prevista, planeada e ansiada, correspondia um cancelamento, adiamento ou impossibilidade de realização.

De repente, já não podíamos fazer o que mais gostamos de fazer - andar na floresta de mapa na mão e, de seguida, reunirmo-nos na arena e discutir com companheiros as opções tomadas.

Ainda se fizeram algumas "provas" com ajuda de aplicações, mas o conceito não era o mesmo. Sem companheiros para partilharmos um mapa, que sabor tem um percurso feito, ainda que de forma espetacular, sem erros e navegação acertada?!? A nada, não tem sabor. Aliás, esse é um dos efeitos secundários do tal "bicho-papão".

Felizmente, surgiu a vacina. E que vacina! Esta dose do BAOM (dos laboratórios COV-Natura) veio dar uma energia e motivação que temia perdidos para sempre. Que provas! Que mapas! Que arena! Que alegria!

Até podia ter feito 3 "mp", que só pela atmosfera e pelo fim de semana pleno de Orientação já teria valido a pena. Mas foi ainda melhor: as provas não me correram mal (claro que poderiam ter corrido melhor) e, principalmente, o GDUA fez um verdadeiro brilharete ao posicionar-se no 2.º lugar coletivo, e ao ser a melhor equipa portuguesa!!!

Tenho a sorte de ter acompanhado (e de estar a acompanhar) a caminhada desta família cada vez maior, e que, por mérito próprio, tem subido as escadas do sucesso, degrau a degrau. Sem pisar ninguém, seja bem-vindo quem vier por bem!

Obrigado, COV-Natura, por terem avançado e resistido "against all odds". Proporcionaram a toda a comunidade orientista um fim de semana a todos os níveis excecional.

Obrigado a todos os companheiros do GDUA por me terem proporcionado voltar a ter o "gosto" pela Orientação. Que possamos em conjunto levar ainda mais alto as cores do nosso clube! Acreditem que no domingo, ao ver onde conseguimos chegar, quase me vieram as lágrimas aos olhos...

Pedro Laia

Luís Boal num dos maiores palcos da modalidade

Dentro deste tempo de tanta incerteza, iniciar o calendário de Orientação logo num dos maiores palcos para a modalidade, devido às suas características físicas e morfológicas, foi um luxo. Especialmente numa prova internacional onde pudemos contar com tantos atletas de várias nacionalidades (...) Sendo a minha primeira vez naquelas bandas, o 2º dia foi o que mais me deslumbrou pelas investidas entre uma mescla de floresta densa e enormes pedras. Apesar de um erro de principiante ao retirar um mapa de escalão diferente, o desafio e a diversão foram de princípio ao fim querendo usufruir ao máximo de um traçado desafiante e duro q.b. (...)

Luís Boal

Nem o frio desmotivou Joana Canana

Apesar de ter passado muito frio no início das competições (principalmente nas mãos, sentia que tinha as mãos a congelar), não foi isso razão para me desmotivar, fui com roupa mais quentinha e corri mais um bocadinho para me esquecer do frio. Em relação aos mapas, o da distância média foi o meu preferido: achei-o fácil, pois havia boas referências e corria-se bem, devido ao vasto terreno aberto. Fora da competição, gostei de rever os meus amigos dos outros clubes, pois já não os via há muito tempo. Fiquei bem classificada, mas achei os meus mapas fáceis para mim.

Joana Canana

A estreia de André Pereira em H16

Um dos momentos de que mais gostei foi estarmos todos juntos e podermos conviver com pessoas de outras zonas de Portugal e também do mundo. Foi a minha primeira prova em H16 e, mesmo não tendo ficado nos três primeiros, foi uma boa experiência, que sem dúvida não irei esquecer.

André Pereira

Os 1400 quilómetros de Fernando Mendes

Os mapas da média e longa foram uma agradável surpresa, pelo equilíbrio entre zonas rochosas, áreas abertas e linhas de água, que sinceramente não esperava em mapas com a marca Aguiar. Percursos muito motivadores, pontos técnicos e pernadas equilibradas. Na média e longa faltaram pernas e sobraram distrações. Na progressão para o ponto 3, no domingo, encontrei o Salvador, fizemos uma enorme festa, o suficiente para descair demasiado e perder 10 minutos. Bem diferente do que vi nos miúdos estrangeiros; é impressionante a forma como correm na floresta, como abordam os pontos e saem rápidos.

Foram 1400 quilómetros numa viagem com um suplemento para nós especial: o facto de a Patrícia fazer anos e pela primeira vez ter partilhado esse momento neste nosso desporto.

Quero, por fim, manifestar uma preocupação. Como atleta, treinador, pai e pessoa conhecedora da orientação, ando apreensivo com o rumo da modalidade, e por isso dedico algum tempo a falar com elementos da direção para tentar compreender o que se passa, nomeadamente o facto de sermos o país organizador de um campeonato do mundo de jovens e, a cinco meses da sua realização, não termos treinador na seleção nem um plano para representar condignamente a orientação portuguesa.

Aspeto muito positivo: o número de candidatos a delegados proposto pelo nosso clube, na ordem das 15 pessoas. Se não me engano, na anterior eleição propusemos três.

Fernando Mendes

Jesus Leão: missão cumprida em W21A

Este ano, inscrita no escalão W21A (damas com mais de 21 anos), será certamente um grande desafio. (...) Apesar da ansiedade, do nervosismo, do sentir "borboletas na barriga" e do receio de não ser capaz de ler o mapa, tinha como principal objetivo concluir as etapas, sem "mp" e dentro do tempo previsto. Missão cumprida! Classificação geral em W21A: 4º lugar. Um belo arranque!

Jesus Leão

Os receios e a boa navegação de Jorge Baltazar

A decisão de participar neste evento não foi fácil. Por um lado, estou sempre interessado em participar em provas neste terreno e o clube organizador (COV-Natura) bem merece a nossa presença, pelo esforço que fazem em proporcionar-nos sempre novos mapas e desafios e o risco que correm ao organizar a prova neste período do ano e com as restrições da Covid. Por outro lado, a lesão no joelho, que contraí em agosto nos 5 Dias de Espanha, não me permite participar com a prestação física apropriada ao terreno exigente e desaconselha mesmo esta participação. As temperaturas rigorosas de janeiro nesta região das "Terras do Demo" também não convidam muito para andar no mato (os receios da Catarina também não ajudam).Mas em boa hora rumámos a Penela da Beira (Penedono) e Vila da Ponte (Sernancelhe) para a 1ª prova da época de 2022. Que prazer foi fazer as 2 etapas de floresta, mesmo com muitas limitações físicas, mas esta limitação até ajudou na prestação técnica, pois consegui fazer os percursos sem erros de navegação e a classificação até foi bastante agradável.

Jorge Baltazar